ensaio

6 jan

Magali


Debbie


Magali e Mona Lisa


Que cara é essa, menina?

Porque a Mona Lisa gosta mesmo é de cheirar a câmera.

zoobotânico

10 nov

Hoje a gente foi ao zoobotânico. Foi a última aula da disciplina, então teve toda aquele clima de despedida. Ganhei um pacote de bombons de cereja. E vários abraços, de todas as alunas. Esse acolhimento é uma coisa bacana de trabalhar com os idosos. Eu tô generalizando, mas é uma impressão que eu tive. De toda a experiência o que eu mais percebi foi isso. Uma vez encontrei uma aluna no shopping e ela me abraçou forte e disse que eu era a melhor professora do mundo.

Eu lembro que no primeiro dia de aula a minha preocupação era se iam gostar de mim. Depois, se iam achar interessante o conteúdo da disciplina. Que não existia no programa e eu que montei. Eu nem sabia exatamente o que dar em cada aula,  ia preparando uma depois da outra. E aí elas vêm me contar que viajaram e viram aquilo que eu tinha dado na aula passada. E me perguntam se eu vou dar a disciplina de novo no próximo semestre.

Tentei fazer um filminho legal, mas ficou meio brega. A gente queria ter filmado o leão fazendo uns barulhos estranhos,  mas ele parou bem na hora. Outros bichos também eram legais, mas só o urso saiu bem no vídeo. No final, depois do lanche, elas disseram que iam fazer uma homenagem pra mim. E cantaram amigos para sempre. Eu queria ter pego mais depoimentos, mas elas ficaram envergonhadas.

chega de saudade

1 out

No final a gente viu Chega de Saudade.
E eu preciso confessar.
A solidão me angustia.

ext

1 out

Ontem teve um evento lá na universidade, parte da semana da pessoa idosa que o núcleo que eu participo promoveu. Fiz parte da mesa, como uma das professoras mais jovens, pra simbolizar a ‘integração das gerações’.

O evento tratava de discutir os rumos do núcleo, já que a universidade não dá muita bola pra questão do idoso.  Dentre os muitos problemas, o que mais me chocou é na verdade um problema geral da universidade, não do núcleo (embora nossos problemas particulares não sejam menos urgentes). Que é o fato de as horas na extensão não contarem pros professores efetivos. Como é que quer ver extensão acontecer, então?

89

16 set

Eu tenho um aluno que tem 89 anos e foi tenente na 2ª guerra mundial. Ele já viveu em quase todos os estados do Brasil e já foi em vários países. Ele tinha umas fazendas no norte, e por lá teve uma filha índia. Os outros filhos dele vivem espalhados por aí. Nos estados onde ele já viveu e nos países onde ele já foi. Ele sempre fica no final da aula pra me contar essas histórias. É o aluno mais assíduo do sexo masculino na minha turma,  com quase 90% de alunas*. E eu considero que tenho um leve problema com esse aluno, porque ele não se conforma em só discutir os casos na sala. Eu gosto de levar notícias e casos pra sala pra debater. E ele nunca se conforma. Porque ele acha que a gente tem que ‘se unir e tomar uma providência’. Simples assim.

*sobre as alunas, algumas são muito engraçadas. tem uma em especial que eu acho fofa e que é meio danadinha. ela gosta de falar e de dar opinião, o que me agrada. mas quando o aluno que eu citei aí em cima começa a falar (e ele fala muito), ela começa a fazer careta atrás dele. danada. e aí o que eu posso fazer?

turismo e terceira idade

11 ago

Hoje foi meu primeiro dia como professora. Estou dando uma disciplina num curso de extensão voltado pra terceira idade. O programa funciona como se fosse um curso de graduação. Os alunos escolhem as disciplinas que querem cursar na grade e os professores são voluntários. Depois de dois anos, eles fazem uma festa de formatura. Mas continuam se matriculando depois disso, de forma que eu tenho vários alunos que estão lá há uns cinco anos. Formados, porque o fim não é a formatura. O fim é ir lá, assistir as aulas, fazer parte. Alguns alunos são aposentados, viúvos, separados, os filhos saíram de casa. Então o programa preenche alguns vazios. Outros nem perderam ninguém, mas vão porque sempre gostaram disso de fazer parte.

Eu fui porque a minha tia (a do sonho) coordena o programa. Minha mãe já deu uma disciplina de dança adaptada. Elas adoram, também. Então eu achei que podia ser interessante propor uma disciplina de turismo no programa. Porque era isso mesmo que eu andava querendo da vida… dar aula, etc. Então eu fiz um plano de curso e a disciplina foi colocada na grade. E hoje foi o primeiro dia de aula.

[Eu planejo esse primeiro dia desde que propus a disciplina. E eu ficava pensando às vezes que tinha planejado tanto o primeiro dia que não ia saber o que fazer nos outros. A minha mãe disse que eu descobririra no decorrer das aulas. Com a experiência.]

Comecei me apresentando e falando dos objetivos da disciplina e aí gaguejei um pouco. Pedi pra eles se apresentarem e falaram ‘o que é turismo’. Vi que a turma entende o conceito de deslocamento, os diferentes tipos de turismo e a relação cultural entre viajante e residente. Achei isso bom. E completei dizendo que o turismo não é só a viagem, quem viaja. Mas também é quem recebe e o local que recebe e disse que isso a gente também ia estudar. Já nem gaguejava. Depois fiz mais algumas atividades, mas eles gostam muito de debater e a gente ficou conversando sobre turismo, turismo no Piauí, lugares que eles já visitaram.

No final, perguntei o que eles tinham achado e me surpreendi que até os mais calados e que aparentavam ares de reprovação saíram da sala rindo e dizendo que tinham adorado. Uma aluna disse: professora novinha, bonitinha, mas muito competente. E aí, né. Fiquei só sorriso.

astista

9 ago

Uma tela minha foi selecionada pro salão de artes plásticas de teresina.

Se eu tô feliz? Imagina.

rendeira

sonhos

29 jul

Essa noite eu sonhei que estava na casa da minha tia que é professora universitária. Essa tia mora aqui na minha cidade e uma tia xará mora no Rio. Mas no sonho, era a tia professora que morava no Rio. Então ela fazia um almoço comemorativo e eu sentava numa mesa com outras professoras, colegas da universidade dela. E embora ela seja da saúde, as que estavam sentadas na minha mesa eram de humanas. Uma delas estava comentando que tinha recebido um trabalho pra corrigir. Sobre umas rendeiras. Mas o trabalho era tão ruim, tão mal escrito, que a menina que escreveu só podia ser analfabeta. E eu fui ficando muito desolada, porque o trabalho era meu. Era como se fosse um artigo pra ser publicado, mas a sensação era de que a aprovação era tão importante quanto a de um projeto de mestrado ou algo assim. Então eu disse pra ela que eu tinha escrito o tal trabalho. Aí ela disse: Ah, não precisa se preocupar. Eu passei o trabalho. Porque eu achei muito sensível da sua parte. Escrever sobre as rendeiras.

Então tá.

25 jul

No começo desse mês eu assisti na minha universidade uma conferência sobre pesquisa qualitativa com um professor de Roma. Foi bem legal, mas não é da conferência exatamente que eu quero falar, sim  do debate no final da conferência.

Eu sou dessas pessoas que nem sempre fica pro debate no final. Eu nem lembro se alguma vez já fiz uma pergunta. Não é um fato do qual eu me orgulhe ou me arrependa, por enquanto é só um fato. Então geralmente eu me canso logo das perguntas irrelevantes (tipo de quem chega atrasado e pergunta uma coisa que foi exaustivamente explicada no começo) e vou embora. No dia dessa tal conferência, eu estava me sentindo profundamente relaxada e aberta (provavelmente pelo fato de eu estar de volta à universidade e isso me agradar tanto), então eu fiquei.

Uma professora da casa foi lá e falou. Tipo uns 15 minutos ou mais. E muitos professores da casa que estavam no auditório se levantaram e foram embora, com ares de reprovação. Só podia ser a fulana, etc. A fulana é professora do curso de serviço social. E foi lá na frente falar que um projeto de pesquisa dela tinha sido contemplado com uma verba do cnpq (foi mais ou menos nessa hora que os outros professores saíram). E que ela tinha recebido um parecer do conselho de ética e pesquisa da universidade. Ela leu o parecer. Inteirinho. E lá dizia que os valores não seriam repassados e a pesquisa não seria aprovada caso ela não modificasse tais coisas no projeto apresentado. Tipo uma única  meta pra cada objetivo específico. Número exato de pessoas a serem entrevistadas. Aplicação prática da pesquisa. E muitas outras coisas assim. Ela estava indignada. E o que ela queria saber do professor romano era se ele já tinha passado por esse tipo de situação. Eu pensei: que bobinha, ela. Adequa esse projeto no papel e pega tua verba. Simples assim, né?

Então o professor respondeu. Disse que essa pergunta teria que ser feita aos colegas americanos, já que esse modelo fechado de projeto era deles. E que os pesquisadores de lá conseguiram, depois de muito bater cabeça, abolir esse tipo de enquadramento quantitativo que se tentava dar às pesquisas qualitativas. E que na Europa ele mesmo nunca tinha ouvido falar em conselho de ética.

Foi aí que eu percebí, né? Toda a questão envolvida. No meu pensamento lá em cima, principalmente. E eu lembrei disso porque ela estava dizendo que é a chata do almoço. Desconstruindo sempre. Nos últimos tempos, eu aprendi a abstrair. Ignorar e tocar a vida. Faz menos mal pro coração, né? Não altera os ânimos, nem a pressão arterial. Então eu sigo abstraindo e vivendo sem maiores conflitos. Mas é só isso?

A bobinha da história sou eu, óbvio. Porque alterar um projeto só pra ele caber em tais normas e receber uma verba pela pesquisa não me colocaria num patamar diferente de uns e outros que fazem projetos pra receber a verba pela verba. Não muda a situação em nada. Só reafirma. E não tá bom. Mas é que pra mim, não existia outra forma. Eu aprendi assim na graduação.  Que se não cabe, você mexe. Porque o importante é receber o apoio. A verba. Com a verba, você faz o que quiser. E eu só fui perceber que não, não é bem assim quando eu vi que pode ser diferente. Não se comover, abstrair, ignorar e tocar a vida pode parecer, mas nem sempre é o mais sensato.

Eu também aprendi que com orientador não se discute. Essa, entretanto, foi uma lição bem mais fácil de contrariar.

Sobre o dia em que todas as blitz do mundo estavam no meu caminho

24 jul

Eu tô tremendo até agora. Primeiro, fui deixar a Maria em casa depois de um displicente passeio pelo shopping e tá lá: os guardinhas montando uma blitz bem na hora que a gente passa na avenida, a menos de 1km da casa dela. Eu parei, né? Ela perguntou: tá tudo certinho com os documentos do teu carro, né? E eu respondí: é claro! Claro que o problema não era a irregularidade dos documentos do carro e sim a ausência deles. E eu tinha toda a convicção de que eles estavam dentro da bolsa*, tanto que quando o seu guardinha mandou parar o carro e pediu os documentos, eu comecei a procurar… e nada. Eu disse: moooço, é que eu deixei o documento em casa. Ele perguntou de quem era o carro e eu disse: meu, meu, meu!!! E também disse que eu só tinha vindo deixar a Maria (enquanto ela revirava a bolsa à procura, sem sucesso) e etc, etc, etc. Então ele perguntou se eu não tinha nenhum documento, tipo a identidade (q?) e eu dei a carteira de motorista. A gente ficou lá no carro enquanto ele olhava a carteira e foi então que eu virei pra ele e perguntei com a maior cara de pau do mundo**: tá tudo certinho, né? Ele olhou prum lado e pro outro e na certa achou que duas meninas bonitas e inteligentes como a gente só podiam estar com tudo certinho, portanto a ausência dos documentos do carro era irrelevante. Então ele deixou a gente passar.

Eu nem sei de onde eu tirei tanto sangue frio pra tamanha caradepauzice, mas o fato é que deu certo e eu passei ilesa pela primeira blitz da minha vida. Desci na casa da Maria, morremos de rir da situação, a tia Cleide contou histórias de como fugir de blitz e de ser fiscal de eleição, bebi uma agüinha e vim embora.

No caminho de volta, eu até tentei chorar, pro caso de uma nova blitz aparecer e eu dizer que algum ente querido tinha morrido e eu estava assim muito triste e etc caso eles me parassem. Eu podia até desmaiar, caso eles insistissem. Mas duas blitz na mesma noite é uma coisa impossível de acontecer, eles nem devem ter tanta equipe de plantão assim, né?

Pois é. Quase chegando na minha casa… cones e guardinhas de novo. Dessa vez eu nem me importei com o motociclista que vinha do meu lado (que eu quase matei) e fiz o primeiro retorno que eu vi na frente. Pra não dar bandeira, eu estacionei na padaria que tinha bem em frente (deus salve os padeiros) com o coração quase saindo pela boca. Fiquei morrendo de medo que os guardinhas viessem atrás de mim. Sei lá, vai que eles tinham visto esse retorno forçado e o meu caso ia se enrolar muito mais. Pensei em ligar pra minha mãe e pedir pra ela trazer o documento, mas essa opção me pareceu pior do que enfrentar mais um guardinha (munida dessa caradepauzice que eu nem sabia que tinha). Enfim, decidi que seria uma boa idéia comprar alguma coisa e sair de lá com um saco na mão, tipo: fugindo, eu? só vim comprar um pãozinho! Mas, lisa do jeito que eu tô, só deu pra comprar 1 unidade de docinho de 50 centavos (daqueles que eles fazem em formato de fruta). Pelo menos eu saí com o saco na mão. Entrei no carro e dobrei na rua por trás da padaria, pegando todas as ruas não principais possíveis, até chegar, sã e salva, na minha casa.

Pra quem nunca tinha sido parada numa blitz, foi emoção demais prum dia só. E eu tô tão feliz de conseguir chegar em casa sem uma multa e com meu carro que tô até recusando os convites pra sair de novo. Depois, a gente chegou à conclusão de que nem era blitz de detran, mas de polícia. Pra ver se tinha droga, essas coisas. Mas já deu, né? Não preciso de outra blitz por pelo menos 5 anos.

 

*Eu não gosto de deixar os documentos dentro do carro porque ele já foi roubado uma vez, seguido de novas tentativas fracassadas.

**Aprendi com a mãe dela.

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