Eu tô tremendo até agora. Primeiro, fui deixar a Maria em casa depois de um displicente passeio pelo shopping e tá lá: os guardinhas montando uma blitz bem na hora que a gente passa na avenida, a menos de 1km da casa dela. Eu parei, né? Ela perguntou: tá tudo certinho com os documentos do teu carro, né? E eu respondí: é claro! Claro que o problema não era a irregularidade dos documentos do carro e sim a ausência deles. E eu tinha toda a convicção de que eles estavam dentro da bolsa*, tanto que quando o seu guardinha mandou parar o carro e pediu os documentos, eu comecei a procurar… e nada. Eu disse: moooço, é que eu deixei o documento em casa. Ele perguntou de quem era o carro e eu disse: meu, meu, meu!!! E também disse que eu só tinha vindo deixar a Maria (enquanto ela revirava a bolsa à procura, sem sucesso) e etc, etc, etc. Então ele perguntou se eu não tinha nenhum documento, tipo a identidade (q?) e eu dei a carteira de motorista. A gente ficou lá no carro enquanto ele olhava a carteira e foi então que eu virei pra ele e perguntei com a maior cara de pau do mundo**: tá tudo certinho, né? Ele olhou prum lado e pro outro e na certa achou que duas meninas bonitas e inteligentes como a gente só podiam estar com tudo certinho, portanto a ausência dos documentos do carro era irrelevante. Então ele deixou a gente passar.
Eu nem sei de onde eu tirei tanto sangue frio pra tamanha caradepauzice, mas o fato é que deu certo e eu passei ilesa pela primeira blitz da minha vida. Desci na casa da Maria, morremos de rir da situação, a tia Cleide contou histórias de como fugir de blitz e de ser fiscal de eleição, bebi uma agüinha e vim embora.
No caminho de volta, eu até tentei chorar, pro caso de uma nova blitz aparecer e eu dizer que algum ente querido tinha morrido e eu estava assim muito triste e etc caso eles me parassem. Eu podia até desmaiar, caso eles insistissem. Mas duas blitz na mesma noite é uma coisa impossível de acontecer, eles nem devem ter tanta equipe de plantão assim, né?
Pois é. Quase chegando na minha casa… cones e guardinhas de novo. Dessa vez eu nem me importei com o motociclista que vinha do meu lado (que eu quase matei) e fiz o primeiro retorno que eu vi na frente. Pra não dar bandeira, eu estacionei na padaria que tinha bem em frente (deus salve os padeiros) com o coração quase saindo pela boca. Fiquei morrendo de medo que os guardinhas viessem atrás de mim. Sei lá, vai que eles tinham visto esse retorno forçado e o meu caso ia se enrolar muito mais. Pensei em ligar pra minha mãe e pedir pra ela trazer o documento, mas essa opção me pareceu pior do que enfrentar mais um guardinha (munida dessa caradepauzice que eu nem sabia que tinha). Enfim, decidi que seria uma boa idéia comprar alguma coisa e sair de lá com um saco na mão, tipo: fugindo, eu? só vim comprar um pãozinho! Mas, lisa do jeito que eu tô, só deu pra comprar 1 unidade de docinho de 50 centavos (daqueles que eles fazem em formato de fruta). Pelo menos eu saí com o saco na mão. Entrei no carro e dobrei na rua por trás da padaria, pegando todas as ruas não principais possíveis, até chegar, sã e salva, na minha casa.
Pra quem nunca tinha sido parada numa blitz, foi emoção demais prum dia só. E eu tô tão feliz de conseguir chegar em casa sem uma multa e com meu carro que tô até recusando os convites pra sair de novo. Depois, a gente chegou à conclusão de que nem era blitz de detran, mas de polícia. Pra ver se tinha droga, essas coisas. Mas já deu, né? Não preciso de outra blitz por pelo menos 5 anos.
*Eu não gosto de deixar os documentos dentro do carro porque ele já foi roubado uma vez, seguido de novas tentativas fracassadas.
**Aprendi com a mãe dela.